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Foto: Divulgação
                                                          
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INB e Galvani devem lucrar R$ 1 bilhão por ano com mina na divisa de Itatira


Terça-feira, 25 de fevereiro de 2014   Atualização: 04:38

As Industrias Nucleares do Brasil – INB, e a empresa particular Galvani, pretendem explorar uma reserva de urânio localizada no municipio de Santa Quiteria e distante 19 quilômetros do municipio de Itatira. A exploração elevará o PIB do estado do Ceará em torno de 6%. Serão investidos 860 milhões de reais. No entanto, as empresas precisam comprovar que não irão acontecer riscos ambientais e de saúde a população.
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O processo de licenciamento ambiental deve ser aprovado pelo Institito Brasileito do Meio Ambiente (Ibama). “A pressa dos governantes e empresários é justificável. Eles devem lucrar até R$ 1 bilhão por ano com a exploração. Serão bilhões e bilhões de reais que irão compor os cofres dos empresários e do Governo”, diz Nacelio Rodrigues, em artigo recente no jornal O Povo. “Serão gerados somente 800 empregos diretos. Não serão 4 mil empregos. E ainda essas vagas serão direcionadas e divididas para vários municípios dentre eles: Itatira, Madalena, Caridade, Canindé e Santa Quitéria. A mina trará riquezas e mazelas”, diz Nacelio.

A INB informa que é preciso que várias medidas de segurança sejam respeitadas e todos os requisitos para garantir a segurança dos habitantes serão respeitadas durante a exploração da reserva de Itataia. Já a Galvani ressalta que a exploração seguirá normas rígidas internacionais de exploração para garantir a segurança. Apesar dessas declarações da INB/Galvani de que a exploração seguirá normas de segurança, movimentos sociais e lideres comunitários se organizam contra a exploração.

Cerca de 500 mulheres do movimento Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina já fizeram uma manifestação no centro de Santa Quitéria contra a exploração da reserva alegando impactos ambientais e mudanças negativas nas comunidades próximas da reserva. A pesquisadora Raquel Rigotto, do Tramas, da Universidade Federal do Ceará – UFC, coordenou um documentário que alerta para riscos da mina, baseando-se como exemplo as mudanças ocorridas na cidade de Caetité, na Bahia, após a exploração de uma reserva de urânio.

Já a Cáritas Diocesana de Sobral do Ceará lançou um livro que alerta para os riscos na exploração de urânio. Foi criada ainda a Articulação Antinuclear do Ceará. Os representantes do consorcio INB/Galvani se disseram preparados para enfrentar os protestos que eventualmente ocorram contra a exploração da reserva de urânio.

O urânio da jazida de Itataia será transportado até a usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. Angra 3 será a terceira usina do Complexo Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizado na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. A nova unidade, que receberá o urânio de Itataia, será similar à Angra 2, em operação desde o ano 2000 e terá uma potência bruta elétrica de 1.350 MWe, com capacidade para gerar mais de 10,6 milhões de MWh de energia por ano - equivalente a um terço do consumo do Estado do Rio.

"Provavelmente, já uma parte da carga inicial de combustível para Angra 3 será fabricada com urânio proveniente de Itataia. As recargas posteriores, feitas a cada 12 meses, certamente terão urânio de Itataia na sua composição", diz Leonam dos Santos Guimarães, assistente do presidente da Eletronuclear. Com o início das operações, o complexo pretende aumentar sua produção para 26 milhões de MWh ano, energia semelhante à gerada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

O cronograma para a implantação de Angra 3 prevê um total de 66 meses (ou 5,5 anos), período que engloba as atividades de construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento dos sistemas e testes operacionais. O prazo se inicia com os trabalhos de concretagem das fundações do edifício reator sobre uma sólida estrutura de rocha, terminando com a conclusão dos testes operacionais. Para o termino das obras - 30% de todo o empreendimento já foi realizado - são necessários investimentos da ordem de R$ 7,3 bilhões - 70% em moeda nacional e o restante a ser financiado no mercado internacional.

Segundo Leonam, esse montante será financiado por empréstimos junto a bancos europeus, que já manifestaram sua disposição em financiar o empreendimento. A aquisição de bens e serviços nacionais será financiada por empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), juntamente com recursos próprios e financiamentos captados pela Eletrobrás. "A jazida de Santa Quitéria é a segunda de urânio do País. Sua exploração propiciará além da produção de fosfato que abastecerá o mercado nacional de insumos agrícolas, mais segurança ao suprimento de combustível das usinas brasileiras Angra 1, 2 e 3", diz Samuel Fayad Filho, presidente das Industrias Nucleares do Brasil.

"A exploração dessa jazida, juntamente com a operação da unidade de Caetité, ampliará a confiabilidade no abastecimento de urânio às usinas brasileiras atendendo, assim, não somente às atuais necessidades como também às futuras demandas do programa nuclear brasileiro para geração de energia elétrica". A construção de Angra 3 exigirá a compra de uma extensa gama de equipamentos. No mercado internacional, devem ser comprados a máquina de recarga de combustível, as barras de controle para o reator (do tipo PWR, à base de água leve pressurizada), material de tubulação e tanques para o grupo turbo-gerador, equipamentos de processo e o novo sistema de instrumentação e controle digital - o principal.

A maioria dos importados já foi adquirida por um custo estimado de US$ 750 milhões. Já no mercado doméstico, serão adquiridos componentes mecânicos, tais como vasos, tanques, trocadores de calor, equipamentos de processo e rotativos, pontes rolantes, pórticos, guindastes, suportes e revestimentos especiais, bombas e válvulas, tubos, isolamento térmico, sistemas de ventilação e de proteção contra incêndio, além de componentes elétricos adversos.

Todos os equipamentos já adquiridos foram comprados na década de 80 e recebidos no início da década de 90, entre eles, componentes de grande porte da chamada "Ilha Nuclear", como vaso do reator, gerador de vapor, pressurizador, bombas principais de refrigeração, suportes de componentes do circuito primário e, ainda, os principais componentes do chamado circuito secundário, como por exemplo: turbinas de alta e baixa pressão, bombas principais de água de alimentação e de condensado, além de diversos equipamentos gerais, tipo: estação de válvulas, trocadores de calor e vasos de pressão.

Desde que chegaram à central nuclear, estes materiais são mantidos sob um forte regime de preservação, guardados nos almoxarifados construídos dentro da unidade, e nas instalações da Nuclep, em um município vizinho. A guarda dos equipamentos adquiridos, assim como ocorreu com os de Angra 2, é feita com o uso de embalagens de folha de alumínio, seladas a vácuo, para controlar o grau de umidade; preservação com gás inerte de tanques e vasos de pressão; e revestimento com película protetora para materiais estocados. Além de inspeções a cada 24 meses.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu em julho passado, a licença prévia ambiental de Angra 3. No entanto, para a efetiva retomada acontecer ainda é preciso a obtenção da licença de instalação do órgão e da licença de construção, junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica (2006/2015), traçado pelo Ministério de Minas e Energia prevê que Angra 3 deverá entrar em operação em 2014.

A extração do urânio de Itataia obedecerá uma série de normas. Na usina de beneficiamento, o urânio é extraído do minério, purificado e concentrado numa torta de cor amarela, chamada yellowcake; no Brasil, estas etapas são realizadas pela INB na Unidade de Lagoa Real (Caetité-BA). O teor e a dimensão de suas reservas são suficientes para o suprimento de Angra 1, 2 e 3 por 100 anos.

Após ter sido dissolvido e purificado, o yellowcake é convertido em hexafluoreto de urânio (UF6), um sal que tem como propriedade passar ao estado gasoso a baixas temperaturas. Atualmente, a INB realiza a etapa de conversão no Canadá devido a questões relacionadas à economia de escala. Entretanto, o Brasil domina esta tecnologia em escala laboratorial e piloto e a Marinha está implantando, em avançado estágio, uma unidade de demonstração industrial denominada Usexa. Após a purificação, vem o enriquecimento, que tem por objetivo aumentar a concentração do isótopo 235 do Urânio no UF6 natural sob forma gasosa, de apenas 0,7%, para valores da ordem de 3% a 5%, necessários ao uso como combustível em reatores nucleares.

A INB realiza o enriquecimento no Exterior, contratando o consórcio Urenco (Alemanha, Holanda e Grã Bretanha), utilizando a tecnologia de ultracentrifugação, que fornece anualmente cerca de 220 toneladas de UTS (unidade de trabalho separativo), a um custo da ordem de R$ 200 milhões anuais. Esta etapa será gradativamente realizada no País com o andamento da implantação da Unidade III da Fábrica de Elementos Combustíveis (FEC), em Resende (RJ), cujo projeto atual prevê uma capacidade equivalente a 60% das necessidades de Angra 1 e 2, a um custo inicial de R$ 300 milhões.

Esta unidade utiliza a tecnologia de ultracentrifugação desenvolvida pela Marinha, com reduzidos custos de operação em comparação com as tecnologias existentes no mercado mundial. O quarto estágio é a reconversão e Fabricação das Pastilhas: o UF6 enriquecido é transformado em dióxido de urânio (UO2) sob a forma de pó e, em seguida, sinterizado em pequenas pastilhas. Estas etapas são realizadas pela INB desde 1999. Por fim, chega-se à fabricação de Elementos Combustíveis.

As pastilhas são montadas em varetas de uma liga metálica especial, o zircalloy, e em conjuntos mecânicos denominados elementos combustíveis que compõem o núcleo dos reatores nucleares. Esta etapa é feita pela INB desde 1996. As recargas de elementos combustíveis para Angra 1 e Angra 2 é feita com yellowcake produzido em Caitité (BA), que depois é convertido em hexafluoreto no Canadá, posteriormente o hexafluoreto é enriquecido pela empresa Urenco na Europa.

O hexafluoreto enriquecido volta então ao Brasil para ser reconvertido, moldado em pastilhas e montado nos elementos combustíveis - isto é feito em Resende (RJ). Angra 3 é um projeto de geração de energia nuclear no Brasil desenhado para ser lucrativo. Angra 1 e Angra 2 não tinham essa missão por incorporar os custos de aquisição e desenvolvimento de tecnologia nesse segmento. Cálculos de viabilidade econômico-financeira de Angra 3 estimam que a usina tenha rentabilidade de 10% e alcance o completo retorno do capital investido em 23 anos. Angra 1 não se pagará do ponto de vista de geração de energia. Já Angra 2, que embutiu os custos do aprendizado do processo de enriquecimento de urânio, poderá atingir o ponto de equilíbrio ao longo de 60 anos.

O local definido para a implantação de Angra vem sendo estudado e monitorado desde a década de 70, por meio de estudos e programas ambientais. Os trabalhos foram interrompidos em 1984. Entre 1984 e 1986, foram realizados cortes de rocha, aberturas de cavas para blocos de fundação, preparação parcial do sítio e executadas as instalações parciais de infra-estrutura do canteiro de obras. Enquanto Angra 2 foi construída sobre estacas, Angra 3 será sobre rocha sã. O sistema de instrumentação e controle de Angra 3 terá técnicas digitais de última geração. O Brasil detém com Itataia a sexta maior reserva de urânio do mundo, embora tenha se prospectado até agora apenas 30% do solo nacional.

O Brasil é um dos três países que dominam todo o ciclo nuclear. O urânio responde por 47% das reservas energéticas não-renováveis totais do País (atual e estimada), superando o petróleo (30%) e o gás natural (23%). Elas somam 309 mil toneladas equivalentes de petróleo, o que equivale a 238 anos de funcionamento do Gasbol - gasoduto Bolívia-Brasil - e o dobro das reservas atuais de gás da Bolívia. O país deverá implementar de quatro a oito novas plantas nucleares nas próximas duas décadas, o que agregará entre quatro a oito mil megawatts de energia ao sistema entre 2016 a 2030.

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