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Foto: Divulgação
                                                          
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Escola de Itatira realiza projeto de combate ao preconceito contra gays


Segunda-feira, 1 de julho de 2013   Atualização: 04:38

A Escola Estadual de Ensino Médio Nazaré Guerra, no município de Itatira, implantou no programa curricular dos estudantes aulas de diversidade sexual e ações de combate a calunias, injurias e difamações contra gays. As atividades envolvem todos os 912 estudantes da rede de ensino. A instituição fixou cartazes e distribui panfletos e cartilhas informativas.
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Com o projeto, a escola também implantou regras que afirmam que as aulas não podem veicular preconceitos nem repetir padrões estereotipados de orientação sexual. As normas da instituição indicam ainda que aulas não podem fazer doutrinação de qualquer tipo, desrespeitando o caráter laico e democrático do ensino público. As atividades ocorrem dentro do Núcleo Trabalho, Pesquisa e demais Práticas Sociais (NTPPS), uma disciplina do programa de Reorganização Curricular da Secretaria de Educação do Ceará (Seduc) que aborda temas como drogas, doenças sexualmente transmissíveis, problemas familiares, meio ambiente, dentre outras temáticas.

Os professores do núcleo participam de capacitações bimestrais e trabalham em sala de aula com apostilas, CD-ROM, livros e materiais disponibilizados pela Seduc. Para implantar o núcleo é disponibilizado um tempo curricular na parte diversificada, com 05 h/a por semana. No caso da Escola Nazaré Guerra, a instituição teve que retirar algumas aulas de Geografia e História para encaixar o núcleo na grade curricular. Na região do Centro Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede 7), com sede em Canindé, três escolas aderiram ao núcleo, no entanto, somente a Escola Nazaré Guerra trabalha a homofobia em sala de aula.

Na rede de ensino são repassados livros, revistas e artigos sobre a temática gay e exibidos filmes, documentários e reportagens sobre o tema. Os estudantes participam de oficinas, dinâmicas de grupos, concurso de redações e debatem o processo histórico da sexualidade, diversidade sexual e identidade de gênero, os crimes de homofobia no país e experiências exitosas sobre combate ao preconceito e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero nas escolas brasileiras.

Embora não sejam realizadas avaliações, os alunos ganham notas bimestrais com base nos trabalhos desenvolvidos. A diretora da escola Maria Eliane Dias explica que o objetivo é garantir o direto à aprendizagem, pautado no desenvolvimento da solidariedade e ética.

“Decidimos abordar a questão porque o tema possibilita a integração curricular, e funciona como desafio para proporcionar uma educação mais contextualizada, com maior significados aos estudantes", diz. "O objetivo é eveitar calunias, injurias e difamações contra gays”, diz a diretora. O professor e coordenador do projeto, Francisco Wesley Carlos Sales, ressalta que as atividades têm contribuído para dar mais dignidade aos homossexuais.

“Temos que concientizar as pessoas para respeitar as diferenças", diz. "O importante é os alunos perceberam que o diferente merece respeito e que respeitar as diferenças não significa querer ser igual”, diz o professor. Antes de trabalhar o projeto, a instituição realizou uma pesquisa de aceitação que ouviu 251 alunos que responderam a questões sobre diversidade sexual.

O questionário constatou que 30% possuíam preconceito e não respeitavam colegas gays. As entrevistas revelaram ainda que 20% dos jovens e adolescentes já presenciaram atos de intolerância aos homossexuais, como agressões físicas e verbais, perseguições e práticas de bullying homofobico. A estudante do 1° ano, Daniele Sousa Mariano, 15, decidiu abordar o tema da homossexualidade na feira anual da escola que este ano ocorre nesta sexta-feira (28). Intitulado “Literatura e a Diversidade Sexual: Construindo estratégias de combate ao preconceito no cotidiano escolar”, o projeto utiliza a literatura como forma de diminuir a perseguição.

“Através da leitura os estudantes adquirem informações e compreendem que os gays são pessoas normais, pagam impostos, respeitam a constituição e, como cidadão, merecem ser respeitados”, diz a adolescente que recebeu total apoio dos pais para se engajar no projeto. Uma das estudantes afirma que as aulas de diversidade sexual ajudaram a diminuir a intolerância, o ódio e a violência dentro da escola.

“Tenho muitos amigos gays e não concordo com as humilhações. Eles também são seres humanos”, diz a estudante. O Ministério da Educação informou, em nota, que as redes de ensino têm autonomia de gestão para desenvolver atividades de educação com relação ao acesso, permanência e sucesso escolar dos estudantes em situação de possível exclusão ou violência. O MEC ressalta que desenvolve ações de combate à homofobia como: estimulo à criação e fortalecimento de grupos e núcleos de estudos acadêmicos; inclusão da diversidade sexual nas discussões das Diretrizes Nacionais de Educação em Direitos Humanos, entre outras iniciativas sobre orientação sexual e da identidade de gênero.

De acordo com a Seduc, dois documentos importantes para estruturar a proposta do Núcleo no Estado Ceará: as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e os Protótipos Curriculares para o Ensino Médio, lançados em maio de 2011 pela Representação da UNESCO no Brasil. No ano passado, foi iniciada uma experiência de protótipo pela Seduc para testar a rotina do NTPPS em doze escolas cearenses. Este ano, 30 novas escolas aderiram à proposta, perfazendo 42 escolas em Fortaleza e no interior.

Para a Coordenadora de Educação da UNESCO no Brasil, Maria Rebeca Otero, outras escolas devem desenvolver projetos semelhantes. Ela elogia a ação da Escola Nazaré Guerra. “É louvável a iniciativa dessa escola no interior do Ceará. Outras redes de ensino devem elaborar estratégicas para implantar ações voltadas para diversidade sexual. Orientamos a trabalhar temas como doenças sexualmente transmissíveis, drogas e homofobia dentro da sala de aula”, diz Otero acrescentando que a Unesco divulgou recentemente uma publicação sobre o assunto.

A obra traz experiências de combate ao bullying homofobico feitas por instituições de ensino em diversos paises. A edição em língua portuguesa deve ser lançada em breve. No ano passado, o Conselho Nacional de Educação – CNE aprovou Parecer e o Projeto de Resolução que institui as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, homologadas pelo Ministério da Educação.

As Diretrizes Nacionais deverão orientar aos sistemas de ensino, no âmbito de suas atribuições normativas e políticas, quanto às ações educacionais, como a formação inicial e continuada e elaboração de material didático e paradidático, na perspectiva da educação para a igualdade de gênero, a livre orientação sexual e identidade de gênero.

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