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Foto: Divulgação
                                                          
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Morador de Itatira tem mensagem exposta no Museu do Congresso Nacional


Segunda-feira, 21 de novembro de 2016   Atualização: 04:38

Uma mensagem de um itatirense está sendo exposta no Musei do Congresso Nacional. Ao analisar um vazamento no Salão Verde, um grupo de trabalhadores da Câmara dos Deputados encontrou seis mensagens de operários que construíram o Congresso Nacional. Os escritos estavam nas paredes do local onde havia o vazamento. Uma das mensagens, a única que está assinada, é de José Silva Guerra, morador do município de Itatira, no Ceará.    
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O diretor do Departamento Técnico da Câmara, Reinaldo Brandão, afirma que esta pode ser a maior descoberta feita até hoje pelos funcionários. A mensagem de José Silva Guerra diz: "Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra".

"Talvez tenha sido o achado mais importante, porque já achamos ferramentas, e vários objetos que não têm um significado mais profundo. Dá a impressão de que alguém esqueceu ali uma ferramenta, mas este é uma escrita feita com a intenção de deixar uma mensagem de otimismo, de que eles estavam acreditando que aquele trabalho que eles estavam fazendo, trabalho árduo, seria em benefício do País", diz Reinaldo Brandão, diretor do Departamento Técnico da Câmara. José Silva Guerra completou sua mensagem com uma sentença em tradução livre do latim: “Duraleques ce de Lequis”, para dizer que a lei é dura, mas é a lei (dura lex sed lex, no original em latim).

Uma busca nos arquivos da Câmara leva ao nome de José Silva Guerra em meio a uma lista com dezenas de operários que trabalharam na construção do prédio. É uma relação dos salários pagos pela “Empreza Brasileira de Engenharia S.A.” em março de 1959. Naquele mês, Guerra trabalhou 208 horas normais e fez 98 horas extras no mês. Contando sete dias de serviço na semana, dá uma média em torno de dez horas por dia.

Pela carga horária, o salário dele de Cr$ 4.000,00 foi incrementado. Ele recebeu Cr$ 13.314,40, em torno de dois salários mínimos, considerando dados do Dieese que registram o mínimo de Cr$ 5.900,00 na época. O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS), recebeu em seu gabinete, Francisca Alrileide Guerra, filha de José Silva Guerra que trabalhou na construção do Congresso Nacional na década de 1950.

A enfermeira de 41 anos veio de Joinville, Santa Catarina, para reviver um pouco da história do pai. Ela lembra que o pai - caminhoneiro de ofício e pedreiro quando necessário - sempre foi um homem muito trabalhador, incansável, para poder sustentar os 12 filhos e esposa que ficaram no Ceará. "Ele sempre foi muito preocupado com o futuro, se teríamos comida e educação. Isso explica a mensagem escrita por ele", diz a filha emocionada.

O presidente da Câmara dos Deputados fez questão de conhecer a filha do operário, que veio acompanhada da neta de José, Daniela Guerra, que hoje mora em Brasília. Ele se interessou pela história da família que começou no Ceará, parte se mudou para o Maranhão, São Paulo e Santa Catarina.

À família, foi feito o convite de participar das comemorações dos 52 anos da Câmara que acontece em abril de 2012, inclusive com a vinda da esposa do José Guerra, Maria Mesquita Guerra. As frases expressam o sentimento político dos operários, falam da solidão e da esperança no futuro. As mensagens são datadas de 1959, um ano antes da inauguração de Brasília.

As mensagens parecem ter sido escritas por pessoas diferentes. Há mensagens de abril de 1959 e outras de setembro do mesmo ano. Brasília foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960. Reinaldo Brandão, diretor do Departamento Técnico da Câmara, se emocionou não só com as mensagens de otimismo, mas com o contato com os colegas de trabalho de outra época.

"Cada descoberta desta para nós que trabalhamos na construção, trabalhamos na feitura de todas estas coisas, nos comove. São colegas que fizeram um trabalho como nós e que deixaram ali uma mensagem para ninguém - não é um lugar que alguém vá ver - porque ninguém tem acesso, mas eles deixaram ali uma mensagem que expõe com a alma, com toda a sua plenitude, um sentimento".

O presidente da Câmara, Marco Maia, visitou o local onde estão gravadas as mensagens e disse que consultará especialistas para avaliar a possibilidade de liberar o local para visitação pública. "Quem sabe a gente possa, orientados pela área de museus, criar algum tipo de visitação a esses escritos", disse. Para o deputado, as mensagens manifestam o amor dos trabalhadores pelo País e serve como lição. "Todos os que aqui passaram contribuíram para que o Brasil seja um país melhor. E o Brasil pode melhorar para a nossa gente. As frases valem para os políticos que passaram, para os que estão aqui e para os que virão.
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