Itatira DECISÃO

Alunos de Itatira com aulas via internet não serão reprovados neste ano

Luciana Nunes afirmou em entrevista ao Itatira NEWS que um parecer orienta evitar a reprovação dos alunos.

07/10/2020 08h15 Atualizada há 2 semanas
Por: Itatira NEWS

A secretaria de educação de Itatira informou nesta quarta-feira (7) em entrevista ao Itatira NEWS que nenhum aluno que está sendo atendido pelas aulas via internet deverá ser reprovado neste ano. Segundo a titula da pasta, Luciana Nunes, um parecer orienta evitar a reprovação dos alunos. “Neste ano de pandemia nenhum aluno que está sendo atendido pelas aulas remotas deverá ser reprovado”, disse a secretária. “No parecer número 5 do Conselho Nacional de Educação, já fala sobre evitar reprovar esses estudantes, claro que quando retornar presencialmente, todos irão passar por avaliações diagnósticas”, disse a secretária.

No municipio de Itatira e em todo o Brasil, nem todos os alunos tiveram acesso ao ensino remoto no período de suspensão das aulas presenciais. Especialmente nas famílias mais pobres, problemas de conexão à internet, por exemplo, impediram que crianças e jovens acompanhassem atividades on-line durante a pandemia. Diante da desigualdade no acesso à educação, é certo reprovar estudantes em 2020? Se todos forem aprovados automaticamente, como lidar com as lacunas deixadas por meses sem contato com os professores? Há, ainda, a preocupação com os alunos do 3º ano do ensino médio. Caso sejam retidos, podem desistir da escola para ingressar no mercado de trabalho.

Por outro lado, se forem aprovados, não terão o ano letivo de 2021 para recuperar conteúdos que deveriam ter sido ensinados em 2020. Em parecer do Conselho Nacional da Educação (CNE), órgão do MEC, a recomendação é rever os métodos de avaliação e adotar medidas que “minimizem a retenção escolar”, já que “os estudantes não podem ser mais penalizados ainda no pós-pandemia”. É especificado, no entanto, que a decisão deve ser tomada por cada escola ou rede de ensino, tanto pública, quanto particular. Como representante do setor privado, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) diz que a determinação deve ser “da escola, analisando as atividades não presenciais, a qualidade dos resultados e, principalmente, o desenvolvimento de habilidades”.

No restante do país outras escolas ainda analisam qual decisão tomar. São cinco sugestões: aprovar todos os estudantes; permitir a reprovação apenas nas escolas particulares, onde houve acesso ao ensino remoto; cancelar o ano letivo das escolas públicas e reprovar todos os seus alunos, para dar oportunidade de aprenderem de fato em 2021; juntar os anos letivos de 2020 e 2021, pensando em reprovação só no fim do biênio; avaliar cada caso individualmente.

“Reprovação? Nem pensar. É uma situação inusitada, seria muito injusto. Fechamos as escolas em março, no começo do ano letivo - não houve nem tempo de conhecer os alunos. Como vou avaliar o que aprenderam?”, questiona Raquel Lazzari, professora na Faculdade de Educação da Unesp de Assis (SP). “Alguns sequer tinham computador ou internet. E, mesmo em escolas particulares, não acho certo reprovar. Foi um período muito diferente para alunos e professores.” Marcia Sigrist Malavasi, docente da Faculdade de Educação da Unicamp, concorda. “Ninguém deve ser reprovado durante a pandemia. É inadequado, irresponsável. Não temos a menor possibilidade de ver quais as condições da criança ou do jovem em casa”, diz.

“O momento é de planejar o que vai ser feito na retomada, para recuperar o que não foi absorvido. Não é hora de pensar em aprovar ou reprovar alguém.” As especialistas reforçam que a retenção já era uma medida discutível antes da pandemia. O aluno que repete de ano corre maior risco de perder o interesse pelos estudos e de abandonar a escola. E, mesmo que continue estudando, dificilmente terá as lacunas na aprendizagem preenchidas. “Não adianta reprovar e fazer tudo de novo, do mesmo jeito, para resolver o problema. Ele já não aprendeu da primeira vez”, diz. O ideal seria repensar os métodos de ensino no ano seguinte e estabelecer planos de recuperação contínua e de aulas de reforço. Não basta passar o aluno para a série seguinte.