Regional GRAVIDEZ

Meninas adolescentes de Itatira estão engravidando cada vez mais cedo

São adolescentes que tem a sua vida interrompida por uma gravidez não planejada.

05/12/2020 14h53 Atualizada há 7 dias
Por: Itatira NEWS

Meninas adolescentes de Itatira estão engravidando cada vez mais cedo. São meninas – e até meninos – que, de uma hora para a outra vão precisar assumir responsabilidade e perder a melhor fase da vida: a juventude, para se dedicarem a um filho. Muitas vezes a menina abandona os estudos, desiste do sonho de fazer faculdade e passa a se dedicar a cuidar e criar o filho. O menino é obrigado a trabalhar e sustentar tanto a menina que ele engravidou como o filho por anos e anos de sua vida. "Não posso ir para festas, sair com meus amigos, e o dinheiro que pego é para comprar fralda e sustentar a casa. Isso vou ter que fazer ate meu filho ficar de maior. Joguei minha juventude toda fora. Peguei um bucho como o povo fala", disse um adolescente de 16 anos de Lagoa do Mato que engravidou uma menina da mesma idade. Só no Brasil os dados do governo demonstram que o número de adolescentes entre 10 e 19 anos que se tornam mães vem aumentando nos últimos quatro anos. Só no ano de 2013, elas responderam por cerca de 31% do total de partos realizados nos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2011 e 2012, o total de filhos gerados quando as mães tinham entre 15 e 19 anos quase dobrou: de 4.500 para 8.300, segundo dados do IBGE.

Um especialista afirma que o principal problema em engravidar precocemente são os riscos para a mãe e para o bebê. A cada dia no Brasil e no mundo aumentam o número de adolescentes que tem a sua vida interrompida por uma gravidez não planejada. "Minha mãe me expulsou de casa, disse que eu ia ter que trabalhar para sustentar meu filho. Ai eu e o pai do menino temos que se virar agora. É difícil porque as vezes não tenho como nem me sustentar, quanto mais outra pessoa", disse uma adolescente da sede do municipio de Itatira que engravidou aos 15 anos de idade. Só no Brasil são cerca de 700 mil meninas sendo mães todos os anos e desse total pelo menos 2% tem entre 10 e 14 anos, sendo que elas não têm nenhuma preparação psicológica e nem financeira para poder dar um bom futuro a essas crianças. Apesar de o aborto ser uma prática proibida no Brasil muitos adolescentes fazem uso dessa prática, quando não podem ou não querem essa gestação.