Mistério RASGA-MORTALHA

Coruja apavora moradores de Itatira por ter fama de agourenta

Segundo os habitantes, é sinal de que algum morador está perto de morrer.

15/12/2019 14h59 Atualizada há 1 semana
Por: Itatira NEWS

Conhecida como a rasga-mortalha, uma coruja que possui fama de agourenta deixa varios moradores com medo no municipio de Itatira. Vários moradores de Itatira acreditam que quando essa ave passa por cima de alguma casa soltando um ruído semelhante a um "pano sendo rasgado", é sinal de que algum morador por ali está perto de morrer. "Eu mesmo já testemunhei morte de gente que foi "agourada" pela "rasga-mortalha", pode até ter sido coincidência, mas quem sou eu para duvidar?", diz uma moradora. A coruja que sobrevooa o municipio de Itatira realmente existe. Esta ave já foi vista varias vezes sobrevoando o distrito de Lagoa do Mato voando pelas ruas e foi até a sacada da janela de uma casa onde começou a piar um canto estranho, semelhante ao som de roupa de seda sendo rasgada.

Durante toda a noite, outros moradores do distrito já viram a ave sobrevoar ruas e casas, e o distrito ouvia assustado o som aterrorizante da ave. "Morro de medo", diz uma moradora. Essa crendice teve início a partir de uma antiga lenda contada entre os moradores do municipio. Conta-se que tudo começou com uma jovem de trinta e cinco anos de idade, um pouco gorda e de pele muito branca. A jovem se chamava Suindara, trabalhava como carpindeira - que são mulheres com mais de trinta anos que eram pagas para chorarem em velórios e cemitérios. Ela era filha de um temido feiticeiro chamado Eliel. A jovem Suindara era muito inteligente e respeitada na sua comunidade, todos a conheciam como "Coruja Branca". Suindara levava uma vida normal, exceto pelo fato de ser carpindeira.

Os problemas da jovem iniciaram quando ela começou a namorar as escondidas com um rapaz chamado Ricardo, que era filho de uma condessa chamada Ruth. A condessa era conhecida por sua rigidez e era muito preconceituosa. Se o romance de Suindara e Ricardo fosse descoberto, jamais seria aceito pela condessa, mas Ruth acabou descobrindo e arquitetou um plano malévolo para acabar com a relação dos dois. A condessa mandou que sua empregada Margarida entregasse um bilhete para a carpideira dizendo que contrataria os seus serviços e para isto seria necessário que as duas se encontrarem atrás de uma cripta azul, que ficava no local mais afastado e escuro do cemitério . Assim que Suindara chegou no loca combinado foi assassinada por um empregado de Ruth. Todos lamentaram muito quando ficaram sabendo da morte da jovem, a enterraram em um luxuoso mausoléu e para homenageá-la esculpiram uma enorme coruja branca no meio da sua cripta.

Eliel, utilizou as cartas de tarô e acabou descobrindo que a verdadeira assassina de sua filha era a condessa da aldeia. Foi aí que ele resolveu executar um poderoso ritual para se vingar da assassina. Eliel foi até o túmulo de sua filha e executou sua magia. O espírito da moça penetrou na enorme estátua de coruja branca e fez com que ela criasse vida própria. A coruja saiu voando pela aldeia e foi até a sacada da janela do castelo onde dormia Ruth, começou a piar um canto estranho, semelhante ao som de roupa de seda sendo rasgada. Durante toda a noite a aldeia ouvia assustada o som aterrorizante da ave. No dia seguinte a condessa amanheceu morta e suas roupas de seda foram encontradas rasgadas, como se alguém as tivesse cortado. A Suindara trata-se de uma das corujas mais comuns do Brasil, bastante conhecida por nidificar em torre de igrejas e locais habitados (razão de um de seus nomes comuns).

 

Ela é uma verdadeira “ratoeira de asas”, pois consomem muitos roedores, principalmente nas proximidades de habitações humanas. Ela também tem outros nomes em outras regiões do Brasil como coruja-das-torres, coruja-da-igreja e coruja-do-campanário. Esta ave possui em média 36 cm de comprimento, envergadura de 75-110 cm, peso médio de 470 g (macho) e 570 g (fêmea). Apresenta o dorso-cinza e pardo dourado, com partes inferiores branca, íris escura. A característica mais marcante é seu disco facial em forma de coração, branco bordeado de marrom-ferrugem. A envergadura é grande em relação ao corpo, se observada em voo, por baixo é toda branca (Sick 1997). Alimenta-se principalmente de roedores e invertebrados. De forma mais rara, caça aves e outros pequenos vertebrados. Para um período de um ano, estima-se que um casal de suindaras consome entre 1720 e 3700 ratos, e entre 2660 e 5800 insetos, sendo basicamente besouros, esperanças e grilos.