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Porque os jumentos estão entrando em extinção em Itatira?

Os animais perdem a serventia e o rebanho despenca. A sorte dos mais fracos, no entanto, é serem abandonados nas beiras das estradas e morrer de inanição ou atropelamento.

29/05/2019 00h48
Por: Itatira NEWS

Pouca coisa mudou no cotidiano do jumento, animal típico nordestino também conhecido como jegue. Ainda que os animais nordestinos não estejam entrando em extinção, sua miserável existência não foi amenizada com a chegada da modernidade. Historicamente vinculados ao trabalho no campo, os animais perdem a serventia e o rebanho despenca em todo Nordeste e também no municipio de Itatira. A sorte dos mais fracos, no entanto, é serem abandonados nas beiras das estradas e morrer de inanição ou atropelamento. 

“A tradição do jumento é o trabalho rural e, depois que os tratores de pequeno porte chegaram ao campo, os animais migraram para a cidade ou foram abatidos de maneira indiscriminada, o que fez o rebanho cair mais de 70% nas ultimas quatro décadas. Nas cidades eles tiveram serventia no transporte de objetos e pessoas até a chegada das motocicletas. “Parece não haver saída para a recuperação do rebanho do Brasil”, diz especialista. Trata-se de uma classe de animais fadada ao trabalho no campo.

“Um jumento forte e bom para o trabalho não tem preço”, diz especialista. Em compensação animais não tão fortes já foram comercializados pelo valor de uma galinha, diz o especialista. A diminuição no numero de jumentos no municipio nas ultimas decadas tem ainda outra explicação de acordo com especialistas. O crescimento da renda do morador aumentou o numero de habitantes que substituiram o jumento por motocicletas, assim as atividades como transportar agua ou outros materiais, que antes eram feitos por jumentos, agora estão sendo feito por motos.

A seca dos últimos também tem agravado a diminuição da quantidade de jumentos no município de Itatira e agravou a situação de abandono dos jumentos também no restante do Nordeste. Companheiro do sertanejo no trabalho duro e ícone da resistência no semiárido, o jumento ficou, na expressão dos próprios moradores de Itatira, “sem serventia”. De nada lhe adiantou o costume a longas jornadas, pouca água e comida escassa. Enquanto que alguns moradores ainda criam os jumentos, outros desistem de manter o animal em suas residências e abandonam os jumentos.

Descartado no transporte de cargas, idosos e crianças, muitos deles estão sendo expulsos das fazendas, colocadas do lado de fora das cercas, ao deus-dará. Com fome e sem ter onde ficar, perambulam pelas estradas em busca de comida. Provocam acidentes graves. Morrem e causam mortes.

“A serventia dele agora é pouca. Aqui não tem mais roça, só pasto. E o jumento estraga o pasto, compete com o boi pela comida. Os grandes fazendeiros não querem mais, e os pequenos não têm nem lugar onde pôr. Antes ele prestava para carregar carga, agora todo mundo tem seu carrinho. A gente fica com pena do bichinho, mas fazer o quê?”, diz um agricultor.

“Com outros animais, acontece menos. Perder uma vaca é perder carne, leite, manteiga. Cavalo é caro, tem custo”, diz. Somente nas zonas rurais o jumento ainda é utilizado e ainda em numero bastante reduzido de residências e familias. Alguns moradores ainda utilizam o jegue para transportar água de açudes ou caçimbas. No entanto, seu uso é cada vez menos popular.

"Com isso, o preço de jumento despencou muito no municipio de Itatira e no resto do Nordeste. O rebanho e quantidade também despenca", diz especialista A situação dos jumentos no município de Itatira e no Nordeste se arrasta desde que as motocicletas se popularizaram, vendidas a prestações de R$ 60 até em lojas de móveis da região. A imagem da família que ia às compras na cidade e voltava levando as mercadorias e as crianças no lombo do jegue não existe mais. Agora, os moradores de Itatira que antes utilizam o jumento, andam com motos.

Hoje em dia, nem mesmo onde ainda se usam animais, o jumento encontra espaço. Na montaria nos pastos, a preferência sempre foi pelo cavalo, mais ágil e imponente. Largado à própria sorte, o bichinho de olhar triste e desamparado virou estatística de trânsito. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o Nordeste registrou 1.783 acidentes com atropelamento de animais nas estradas em 2012. O estado com maior número de casos foi a Bahia, com 429 acidentes que resultaram na morte de 18 pessoas no ano passado. No Piauí, foram 260 acidentes, com cinco mortes.

Na maioria das vezes, o animal em questão é o jumento. No Ceará, o Detran apreendeu 11 mil jumentos em 2012. E a média tem sido de 800 por mês. Diariamente, 13 caminhões de resgate fazem a ronda nas estradas. Os animais apreendidos são levados para a Fazenda Paula Pessoa, no município de Santa Quitéria. O local já chegou a abrigar dez mil jumentos, mas tem hoje menos da metade. Muitos morreram ou precisaram ser sacrificados por contraírem doenças.

Segundo o IBGE, o Nordeste tem 877.288 jumentos, quase a totalidade (90%) dos representantes da espécie no país. Apenas Maranhão, Ceará e Piauí ainda têm mais de cem mil animais cada um. 

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