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TRABALHO DURO

Sem encontrar emprego em Itatira, jovens vão para o corte de cana em São Paulo

“Amo Itatira, minha família e meus amigos. É tão triste ter que deixar tudo isso para ir para um lugar distante”, disse um jovem que recentemente deve que abandonar o municipio para ir para o corte de cana em São Paulo.

04/06/2019 14h06Atualizado há 7 dias
Por: Itatira NEWS

Muitos moradores de Itatira deixam o município para trabalhar no corte de cana devido a falta de empregos em sua terra natal. “Amo Itatira, minha família e meus amigos. É tão triste ter que deixar tudo isso para ir para um lugar distante”, disse um jovem que recentemente deve que abandonar o municipio para ir para o corte de cana em São Paulo. “A vida aqui é dura, mas é o jeito”, diz o rapaz. O trabalho de colheita manual da cana-de-açúcar é, certamente, uma das atividades mais árduas do meio rural.

Em tal expediente de produção, cada trabalhador é responsável por um conjunto de linhas paralelas de cana plantada conhecidas como "eito", formadoras do talhão de cana. Nesse conjunto de linhas o trabalhador atua cortando as touceiras de cana e avançando para dentro do talhão. “A gente gosta porque recebe em dia. A empresa paga o transporte de ida e de volta. Quando volto sempre trago dinheiro para minha família. Mas trabalhar dessa forma é muito duro. Talvez se eu tivesse estudado e feito uma faculdade não estaria aqui”, diz o rapaz.

O trabalho consiste em abraçar certo número de canas de forma a separá-las das demais e golpear, rente ao solo, a base deste conjunto com um facão afiado denominado podão. Em seguida, cortam-se as pontas e carrega-se este material para a linha central do "eito", dispondo-as em montes como forma de facilitar a operação das máquinas carregadeiras. “A saudade de casa é muito grande. Espero que um dia isso de ter que abandonar Itatira para ir trabalhar em outra cidade acabe. Sonho com um dia meu municipio tendo emprego”, diz o jovem.

Um trabalhador que corte 12 toneladas em um dia, caminha, nesse dia de trabalho, 8.800 metros, despende 133.332 golpes de podão e carrega as 12 toneladas de cana em montes de 15 kg. Para isso, tal trabalhador realiza 800 trajetos e 800 flexões, levando 15 kg nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros.

Faz, também, aproximadamente 36.630 flexões e entorses torácicos para golpear a cana e perde, em média, 8 litros de água por dia. Em virtude dessa exigência física intensa, o trabalho canavieiro gera uma série de limitações e debilitações na saúde dos trabalhadores rurais.



A pesada carga laboral dos cortadores de cana tem entre suas motivações a postura física exigida para o corte, o uso de ferramentas perigosas, a realização de atividades repetitivas e desgastantes e o transporte de material excessivamente pesado. Tais gravames são, ainda, reforçados por condições ambientais danosas como exposição prolongada ao sol e intempéries, descargas atmosféricas e poluição do ar. "O trabalho é duro. Mas ainda bem que tem o corte de cana para a gente ir. Senão a situação era muito pior pois não teria como sustentar minha familia, minha mulher e meu filho", diz o rapaz.

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