Mato Grosso CONFESSOU CRIME

Homem mata a esposa, enterra no quintal e finge por 18 dias que ela havia fugido de casa

O motivo seria ciúme. Ele teria visto uma conversa entre a companheira e o ex-marido dela no WhatsApp, em que o ex-marido pedia para voltar com a vítima.

16/03/2020 11h35 Atualizada há 3 dias
Por: Itatira NEWS

Moradores de Paredão Grande, distrito de General Carneiro (450 km de Cuiabá), descobriram nessa terça-feira (18) que uma casa do distrito escondia um segredo há 18 dias. Enquanto o marido fingia que a esposa havia fugido de casa, o corpo da mulher estava enterrado no quintal após ela ter sido vítima de um feminicídio. A história começou no dia 31 de janeiro, quando Simone Ferreira, de 40 anos, não foi mais vista por familiares e amigos e deixou de responder o WhatsApp. No dia do desaparecimento, por volta de 12h50, Simone estava conversando com o irmão, Cristiano Gomes dos Santos, que mora em Barra do Garças (520 km de Cuiabá), via WhatsApp.

Segundo o irmão, ela não reclamou de nada até encerrarem a conversa, quando ele precisou voltar a trabalhar. Ele notou que a irmã continuou publicando fotos no status do WhatsApp até as 15 horas e, depois disso, sumiu. Às 17 horas Cristiano chamou Simone novamente, mas ela já não o respondeu. Por volta de 23 horas, o cunhado, Henriclei, enviou para ele um áudio no WhatsApp perguntando se Simone havia aparecido em Barra do Garças. O cunhado afirmou que o casal havia se desentendido e ela teria pegado os documentos pessoais e uma sandália e saído, dizendo que voltaria com o ex-marido, Rogério. O ex em questão, segundo o irmão de Simone, mora no Distrito dos Baianos, região de São José do Xingu (950 km de Cuiabá). Desde que o cunhado entrou em contato no dia 31 de janeiro, Cristiano passou a tentar falar com a irmã, mas não conseguiu. Acreditando na versão de Henriclei, ele, então, passou a tentar falar com o ex-marido da irmã.

Demorou 17 dias para que Cristiano conseguisse contato com o ex-marido de Simone. Rogério ligou para o ex-cunhado nessa segunda-feira (17), informando que Simone nunca apareceu na região do Xingu, nem manteve contato com ele desde o dia 31 de janeiro. Com a notícia, o irmão e a mãe de Simone resolveram procurar a polícia, após 17 dias sem notícias, e registraram um boletim de ocorrência dizendo que Simone estava desaparecida e só não procuraram a polícia antes porque acreditavam que ela estava com o ex-marido. Eles contaram, também, que ela vivia um relacionamento com muitas brigas com o companheiro e que, sempre que os dois brigavam, ela corria para a casa da mãe, mas não fez isso dessa vez e, por isso, eles temiam que algo podia ter acontecido com ela. Por fim, eles informaram à polícia que o casal já morava junto há seis ou sete meses, que Henriclei já tinha passagem pela polícia e que usava tornozeleira eletrônica. Após a denúncia, a Polícia Judiciária Civil começou a investigar o desaparecimento de Simone.

Questionado, a princípio, o companheiro dela, Enriclei Alves Ferreira, 38 anos, disse que após uma discussão, a mulher teria resolvido sair de casa. Ele, no entanto, afirmava à polícia que não sabia para onde ela poderia ter ido. Pessoas próximas, porém, achavam a versão de Enriclei estranha, visto que Simone teria sumido sem falar com ninguém, nem dar nenhuma notícia de seu desaparecimento, o que indicava que ela não poderia estar na casa de nenhum conhecido. Todos que a conheciam passaram a ser ouvidos pela Polícia Judiciária Civil.

Com um dia de investigação, nessa terça-feira (18), Enricei resolveu confessar o crime e disse que, após uma discussão, bateu a cabeça de Simone contra a parede e a matou. O motivo seria ciúme. Ele teria visto uma conversa entre a companheira e o ex-marido dela no WhatsApp, em que o ex-marido pedia para voltar com a vítima. Ao agredi-la, ele percebeu que ela estava sem vida e resolveu enterrá-la no quintal da casa onde os dois moravam. A confissão se deu somente 18 dias após o crime. Durante esses dias, Henriclei seguiu sua vida normalmente, trabalhando e morando na casa, com o corpo da mulher enterrado no quintal, como se nada tivesse acontecido. Após a confissão, Henriclei apontou o local onde o corpo estava enterrado, a perícia criminal foi acionada e o corpo de Simone foi encontrado em estado de putrefação. Um exame de necropsia será realizado para apontar se realmente ela morreu somente pela batida da cabeça na parede, ou se tiveram outros golpes. O delegado de General Carneiro, Nelder Pereira Martins, pediu a prisão preventiva de Henriclei alegando o motivo fútil, emprego de meio cruel e ocultação de cadáver e aguarda a decisão da Justiça para dar cumprimento.