Saúde ACHARAM OUTRO CORPO

Familia descobre que idosa com Covid-19 está viva após abrir caixão

Parentes de Conceição descobriram que se tratava do corpo de outra mulher.

06/05/2020 01h02 Atualizada há 4 dias
Por: Itatira NEWS

Durante um velório realizado na noite de sexta-feira (1º), em Belém, no Estado do Pará, uma família abriu o caixão da avó, que teria morrido de Covid-19, e percebeu que o corpo era de outra pessoa. Apesar da emissão da certidão de óbito, Maria da Conceição Oliveira, de 68 anos, está viva e foi encontrada, após insistência da família, em um leito do Hospital Abelardo Santos, também de Belém. A senhora testou positivo para a Covid e precisou ser internada no último dia 30 de abril. Depois que deu entrada na unidade, a família não teve mais notícias e no dia seguinte (1º) recebeu a certidão de óbito da idosa. Uma funerária contratada levou o corpo para a casa da família e, já no velório, os parentes de Conceição descobriram que se tratava do corpo de outra mulher.

“A funerária avisou para que não abrisse o caixão, por causa da pandemia. Então os filhos dela perguntaram como ela estava e disseram: ‘bata vermelha, cabelos brancos’. Só que dona Conceição não tem os cabelos brancos e nós não mandamos nenhuma bata vermelha. Foi que o neto dela teve coragem pra abrir o caixão e foi um susto terrível, era uma senhora morena, com tubo na boca”, relata Tallya Fernandes, parente de Conceição. As cenas da família indignada logo após que percebeu o erro foram registradas via celular. Nas imagens, os parentes exigem explicações do funcionário da funerária. “Eles têm que sentir a dor da gente. Isso é um absurdo”.

 

A família resolveu voltar para o Hospital Abelardo Santos, de atendimento exclusivo a casos de Covid-19, atrás de notícias. “Depois que o paciente entra lá, a gente fica sem notícias. Eles não deixam entrar e nem saber de nada. Fizemos um escândalo na frente e entrou o neto dela. Ele teve que ver mais de 30 cadáveres, um por um, correu risco, e não encontrou a avó. Todo mundo dizendo que ela estava morta”, diz Tallya. Segundo os parentes de Conceição, uma enfermeira se solidarizou e resolveu ajudar. A enfermeira foi até o leito onde Conceição estava internada e fez uma chamada de vídeo. “Ela estava lá, dizendo que estava viva! Foi uma alegria e uma certa indignação pelo que aconteceu”, afirma Tallya. A família informou que registrou um boletim de ocorrência contra o hospital pelo erro.

 

Em nota, a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) informou que confirma o erro. Segundo a Sespa, há uma sobrecarga do sistema funerário durante a pandemia. O serviço de Verificação de Óbito (SVO) atendeu na última sexta-feira (1º) 35 casos, destes cerca de 50% foram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), o que é cerca de 20 vezes mais do que o normal. Segundo o governo, “com a abertura do Hospital para pronto-socorro, os procedimentos e rotinas foram totalmente alterados. Os problemas estão sendo identificados, dentro do possível, corrigidos”, diz a nota.